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Marçal mostrou que existe um caminho para desafiar Bolsonaro em seu campo, diz cientista político

Desempenho de Marçal indica que há uma nova liderança muito competitiva com Bolsonaro e que utiliza os mesmos métodos

Publicada em 09/10/2024 as 07:23h por Redação O Sul
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 (Foto: Reprodução)

O cientista político Leonardo Avritzer, professor titular aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador do Observatório das Eleições, avalia que o primeiro turno da disputa municipal trouxe um realinhamento no campo político. O PSD superou o MDB como principal força de centro, consolidando Gilberto Kassab como uma das lideranças políticas mais influentes do País.

 

Embora a direita tenha avançado, o crescimento ficou aquém das expectativas. Já o PT mostrou uma recuperação, elegendo aliados em capitais estratégicas, ainda que não tenha sido vitorioso como legenda. Para Avritzer, o resultado da eleição em São Paulo não foi positivo para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), e Pablo Marçal (PRTB) mostrou que existe um caminho para desafiar Jair Bolsonaro (PL) em seu próprio campo.

 

 

Leia trechos entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo:

 

1) Que avaliação o senhor faz sobre o resultado deste primeiro turno? Que partidos e grupos saem fortalecidos?

 

Ainda temos uma visão parcial, pois muitas das principais cidades do Brasil terão segundo turno. No entanto, já é possível identificar algumas tendências. A principal mudança talvez seja no campo do centro. O MDB, que por mais de uma década foi o maior partido do Brasil em eleições municipais, foi deslocado pelo PSD. Apesar de ser um partido que ainda não tem características muito definidas, sob a liderança de Gilberto Kassab, o PSD se apresenta como centrista. Contudo, ele também abriga setores conservadores que vieram do Democratas durante o governo Dilma e buscaram se reposicionar no sistema político brasileiro.

 

Temos também um crescimento da direita, mas esse avanço foi menor do que o esperado. Alguns líderes do PL falavam em conquistar 1.500 prefeituras; Valdemar Costa Neto, mais modesto, estimava 600. O PL de fato obteve um número relevante de prefeituras, mas ainda está longe de ser o principal partido do Brasil no nível municipal. Por fim, o Partido dos Trabalhadores teve uma recuperação significativa, passando de 181 para 250 prefeituras e voltando a disputar o segundo turno em capitais importantes do Nordeste e do Sul, algo que não acontecia desde 2016.

 

 

 

 

2) O desempenho do PT melhorou, mas ainda está bem abaixo do PSD e do próprio PL. Por que, mesmo com Lula na Presidência, o partido não teve um resultado mais expressivo?

 

O desempenho do PT não é ruim. Se considerarmos que Fortaleza está entre as 10 maiores cidades do País, e que a candidatura de Boulos em São Paulo foi uma parceria com o PSOL — com apoio financeiro, militância e o próprio respaldo do presidente Lula —, o resultado é positivo. Além disso, em lugares onde o PT havia praticamente desaparecido, como no Rio Grande do Sul, o partido voltou a aparecer e vai disputar o segundo turno em importantes cidades, como Porto Alegre, Santa Maria e Pelotas. No entanto, esse resultado ainda está aquém do que o partido já teve no passado, quando chegou a conquistar mais de 600 prefeituras. Naquela época, porém, não era um movimento tão claramente de pessoas identificadas com o PT, mas com a ideia de que ser filiado ao PT ajudava a ganhar a eleição, assim como hoje estar no PSD contribui para ganhar eleições.

 

 

 

 

 

3) Há quem diga que o Bolsonaro teve mais influência nos municípios do que Lula. O que o senhor acha?

 

Acredito que o PL teve um desempenho melhor do que o PT. No entanto, o PT fez a opção por construir alianças com partidos de sua base, o que o posiciona bem em algumas capitais. Por exemplo, Belém, São Paulo e Rio de Janeiro, com o [Eduardo] Paes. As estratégias eleitorais foram muito diferentes: enquanto o PL, um partido menor, focou em conquistar prefeituras próprias, o PT, por ser um partido mais consolidado, investiu em fortalecer a base de apoio ao governo. Essa é a principal diferença entre os dois.

 

 

 

 

 

4) Aqui em São Paulo, vimos os eleitores de Bolsonaro ignorarem a indicação dele para a prefeitura. A maioria, como apontam as pesquisas, acabou optando por Marçal. O que isso revela sobre o futuro do bolsonarismo?

 

A eleição em São Paulo coloca uma série de problemas para Bolsonaro. Passa a haver uma nova liderança de direita, ou extrema direita, muito competitiva com ele e que utiliza os mesmos métodos — forte presença nas redes sociais e apoio de grupos conservadores e religiosos. São exatamente os mesmos mecanismos que sustentam o bolsonarismo. O futuro de Pablo Marçal ainda é incerto e, eventualmente, ele pode até se tornar inelegível no curto prazo. No entanto, ele demonstra que existe um caminho para desafiar o Bolsonaro no seu próprio campo, o que certamente preocupa o ex-presidente.




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