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Ao menos quatro gaúchos morreram nos últimos dias sem conseguir vaga em UTI para casos de coronavírus

Publicada em 24/02/21 as 23:22h por Redação O Sul
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 (Foto: EBC)

Uma moradora de Capão da Canoa (Litoral Norte) se tornou a quarta pessoa a morrer por causa da Covid sem conseguir vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O caso ocorreu na madrugada desta quarta-feira (24) no hospital de Santo Antônio da Patrulha, onde ela era atendida desde o último fim de semana.

A identidade da paciente não foi informada. De acordo com fontes locais, porém, sabe-se que a vítima tinha 48 anos, era obesa e sofria de outra comorbidade e não resistiu ao agravamento de seu quadro de saúde após o contágio por coronavírus. E o caso dela não foi único no Rio Grande do Sul.

Nos últimos dias, foram registrados óbitos por coronavírus em circunstâncias semelhantes em municípios como Morro Reuter (Vale do Sinos), onde uma idosa de 93 anos faleceu no único posto de saúde local, no aguardo de transferência para um leito de UTI.

Situação parecida foi registrada em Não-Me-Toque (Região Norte) e Boqueirão do Leão (Vale do Taquari). Em cada uma dessas cidades, ao menos um paciente de coronavírus sucumbiu sem obter vaga em leito de UTI.

“Assustador”

Comparando as diferentes situações epidemiológicas do Rio Grande do Sul dos dias 24 de janeiro (2.370 internações por Covid em leitos clínicos e de UTI) e 24 de fevereiro (mais de 4.500 pessoas), a titular da Secretaria Estadual da Saúde (SES), Arita Bergmann, reiterou que o Estado vive o seu pior momento na pandemia: “O número dobrou em um mês. É assustador”.

Arita informou terem sido abertos 119 leitos de UTI em janeiro e outros 65 somente na semana passada, devendo ser abertos mais 62, totalizando assim 127 leitos até o fim de fevereiro. Segundo ela, porém, não basta abrir leitos: “É preciso cessar a causa da transmissão, a produção de doentes”.

A secretária detalhou que todos os dias, em média, surgem 50 a 60 pessoas precisando de internação: “Não há mais possibilidade, principalmente em função de equipes, de continuar abrindo leitos, porque não resolve. Temos é que trabalhar muito para estancar a geração do vírus, porque ele está presente em todo o Estado e com uma velocidade nunca vista e ainda mais grave”.

Sobre a possibilidade de ativação de hospitais de campanha, a secretária explicou que não havia necessidade de leitos clínicos no Estado, uma vez que dispunham de 6.255 leitos desse tipo, com taxa de ocupação de 48%. Na avaliação de Arita, é difícil o uso dessas estruturas para geração de leitos de UTI.

As ponderações foram feitas durante reunião on-line da Comissão de Saúde e Meio Ambiente e da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, nesta manhã desta quarta-feira. O debate foi conduzido pela presidente da Comissão de Saúde, deputada Zilá Breitenbach (PSDB).

Também participaram do encontro virtual o presidente do Parlamento gaúcho, Gabriel Souza (MDB), e demais deputados. Todos não esconderam preocupação no que se refere ao agravamento da pandemia e suas consequências.




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