
O homem que foi arrastado em uma cadeira de rodas por um caminhão em uma estrada na Zona Leste de Porto Alegre diz, em entrevista exclusiva a reportagem, que precisa "agradecer a Deus não sei quantas vezes" por estar vivo e que "nasceu de novo". O caso aconteceu na segunda-feira (23). Apesar do impacto, ele não teve ferimentos aparentes, apenas dor nas costas, para o que já foi medicado.
O aposentado Luiz Jaeger, de 68 anos, conta que retornava para casa no momento do incidente. Ele tinha ido até um mercado da Lomba do Pinheiro e afirma que costumava fazer esse trajeto pelo asfalto, já que a calçada não tem condições de uso.
“Saí para buscar pão. Assim que eu encostei no quebra-mola, desci e o caminhão enganchou na cadeira de rodas. Me apertou e eu fiquei parado, firme. Não podia fazer nada, nem pra frente nem pra trás, estava preso ali”, relembra.
O episódio foi gravado por câmeras de segurança de estabelecimentos da região. Veja o vídeo acima. Jaeger conta que se segurou na cadeira e que deu "sorte" por não ter, naquele trecho, nenhum buraco na via.
“Se tivesse qualquer buraco, ele [caminhão] tinha me atirado no meio da faixa”.
O aposentado estima que foi arrastado por cerca de 200 metros. Algumas pessoas que estavam na rua começaram a gritar para que o motorista do caminhão parasse. Segundo testemunhas, o condutor dirigia e falava no celular. Depois que Luiz foi "solto" do caminhão, o condutor teria saído sem prestar socorro.
A filha de Luiz, Raquel Jaeger, foi chamada pelos vizinhos para buscar o pai. Ela registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil e explica que o motorista do caminhão liga todos os dias à família para saber do aposentado.
“Ele não se negou a ajudar em nenhum momento, a não ser fugir do local. Fora isso, está cumprindo com tudo o que diz”, comenta a diarista.
O pai mora com ela há cerca de 3 anos, desde quando teve uma das pernas amputadas em razão de uma trombose.
Cadeira de rodas estragada
Depois de ser arrastada, a cadeira de rodas ficou torta e não pôde mais ser utilizada por Luiz. Ele não tem outra e não sabe, até o momento, quando terá uma nova.
"Era o meu 'transportezinho'. Eu não sei o que vou fazer. Não posso comprar outra cadeira", diz.
A filha afirma que o condutor do caminhão deve comprar uma cadeira para o pai e que aguarda trâmites relacionados ao seguro do automóvel para efetivar a compra. A cadeira de rodas que ele usava custa em torno de R$ 7,5 mil.
