Um ano após a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul, quase 400 pessoas ainda moram em abrigos e aguardam soluções para, enfim, se mudar para endereços definitivos.
É o caso da empregada doméstica Karina Alessandra Paim, que foi contemplada pelo programa "Compra Assistida", do governo federal, mas ainda enfrenta a burocracia para se instalar no apartamento escolhido.
"Tem que agendar agora a assinatura da compra, mas é uma demora. Não aguento mais, quero minha casa, minha privacidade. Minhas filhas não aguentam mais abrigo", desabafa.
No final de abril, o governo do RS afirmou que os dois centros humanitários que ainda abrigam pessoas atingidas pela enchente, em Canoas e Porto Alegre, devem ser fechados em maio. As famílias que estão nesses locais devem ser encaminhadas para moradias temporárias, viabilizadas por parceria com as prefeituras dos dois municípios, ou permanentes, compradas ou construídas pelo governo federal.
As casas temporárias terão 27 metros quadrados e serão equipadas com mobília e eletrodomésticos. Cada unidade deverá ter capacidade de comportar uma família de até quatro pessoas.
"A parte do estado já está conclusa, com a instalação das casas nos terrenos. Enquanto isso, as prefeituras estão finalizando esgotamento, água potável e energia elétrica, para que a gente possa transferir essas pessoas pra lá", diz o vice-governador Gabriel Souza.
Vista aérea da enchente em Novo Hamburgo (RS) — Foto: Reprodução/TV Globo
A expectativa do governo federal é contemplar até 30 mil famílias com casas definitivas. Segundo a União, em até três meses a fila de espera do "Compra Assistida" deve ser zerada.
"Todos os dias estamos assinando contrato, entregando chaves. Aquelas familias que conseguirem se encaixar no Compra Assistida, nós acreditamos que em mais 60 ou 90 dias nós devemos esgotar esse processo, até pela disponibilidade de imóveis até R$ 200 mil dos municipios", explica o ministro da Reconstrução, Maneco Hassen.